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Convidar sem culpa: hospitalidade quando a casa não está perfeita

Convidar sem culpa: hospitalidade quando a casa não está perfeita

Adias sempre o convite porque a casa nunca está pronta? Este artigo recorda o episódio de Abraão a receber três estranhos no deserto, em Génesis 18, e mostra porque a hospitalidade nunca dependeu de uma casa perfeita.

Gostavas de convidar mais vezes, mas cada vez que pensas nisso vem logo a lista de tudo o que a casa precisava para estar "pronta": pintar aquela parede, arrumar aquele armário, comprar loiça nova. Enquanto a lista não estiver feita, o convite fica sempre adiado.

A hospitalidade nunca dependeu de uma casa perfeita. Dependeu sempre de uma porta aberta.

Abraão e os três estranhos no deserto

No livro do Génesis, Abraão recebe três estranhos junto à sua tenda, no meio do deserto, sem aviso prévio e sem tempo para preparar nada de especial (Génesis 18). Não tinha casa nenhuma para mostrar, só uma tenda e o que tinha à mão naquele momento: água para lavarem os pés, pão fresco, um novilho preparado às pressas.

O que a tradição guarda desse episódio é a prontidão de Abraão em receber quem chegou, com o que tinha à mão naquele momento, mais do que a qualidade da refeição servida. É, aliás, um episódio central na fé, porque os três visitantes são entendidos como uma manifestação de Deus junto de Abraão, precisamente através desse gesto simples de acolhimento.

Porque a lista de pendências nunca fica completa

A tua casa não precisa de estar acabada para acolher alguém. Precisa só de estar disposta a abrir a porta com o que já tem. A lista de coisas por fazer numa casa tende a crescer, não a esgotar-se, porque sempre há um projeto novo, uma parede por pintar, um móvel por substituir.

Se esperares que a lista esteja completa antes de convidares, corres o risco de nunca convidar, porque a lista raramente chega mesmo ao fim, quer a casa seja pequena quer seja grande.

Sala de estar com decoração natural

Como separar a lista de pendências do convite

Da próxima vez que pensares em convidar alguém e a lista de pendências vier à cabeça, tenta separar as duas coisas. A lista pode continuar a existir, aos poucos, mas não precisa de decidir quando convidas. São dois projetos distintos: melhorar a casa ao longo do tempo, e acolher pessoas no espaço que já tens hoje.

Podes até dizer isto abertamente a quem convidas, sem necessidade de desculpa: "a casa está assim mesmo, mas fico contente que venhas." Isto tira o peso da perfeição de cima de ti e, muitas vezes, aproxima mais do que uma casa impecável e distante.

O que fazer quando a vergonha da casa é mais forte que a vontade de convidar

Se sentires vergonha real do estado da casa, mais do que simples desconforto, vale a pena perguntar de onde vem essa vergonha: é de algo que os outros efetivamente vão notar, ou é uma comparação interna com casas que vês nas redes sociais? A maior parte das vezes, a segunda hipótese pesa mais do que a primeira.

O que fazer com filhos que também sentem essa vergonha

Se os teus filhos, sobretudo já mais crescidos, também sentirem vergonha de convidar amigos por causa do estado da casa, vale a pena ter esta mesma conversa com eles, adaptada à idade. Mostrar-lhes que a hospitalidade não depende de uma casa perfeita ajuda a formar, desde cedo, a mesma liberdade que tu estás a tentar recuperar em ti própria.

Esta semana, convida alguém

Convida sem esperar que a casa esteja diferente do que está hoje.

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