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A reunião mensal de casal, para falar do que não é palpável

A reunião mensal de casal, para falar do que não é palpável

Vocês resolvem tudo, mas as conversas que importam de verdade, sobre Deus, os filhos, o rumo da família, ficam sempre para depois e nunca acontecem. Este texto propõe uma reunião mensal de casal, um almoço prolongado só para falar do que não é palpável, com a base do que a Igreja ensina sobre o diálogo e a oração a dois, e uma nota sobre a nossa própria experiência.

Vocês resolvem tudo. Os horários, as contas, os miúdos, a casa, o que aparecer. São eficientes, e o dia a dia corre. Mas há um tipo de conversa que nunca acontece. Aquela sobre como estão de verdade, sobre a fé de cada um, sobre o que está a acontecer com os filhos por dentro, sobre para onde vai a família. Fica sempre um «temos mesmo de falar sobre isto», e depois entra a próxima urgência e a conversa não chega.

As conversas grandes, as que importam de verdade, nunca chegam a acontecer

E o casamento continua a funcionar, mas só à superfície. Tratam do palpável, do que é preciso decidir, e o que não é palpável, as relações, os medos, a direção, vai ficando por dizer. Há amor de sobra, o que falta é espaço. No meio de tudo o que há para gerir, nunca há um momento em que os dois param e olham para dentro da vossa vida em conjunto. E o que não se conversa vai-se acumulando, calado, até parecer que já não há muito para dizer.

Quando foi a última vez que tu e ele falaram, com calma, sobre o que não estava na lista de tarefas?

A Igreja pede tempo de qualidade e uma conversa feita diante de Deus

E aqui a fé é muito concreta. O Papa Francisco, na Amoris Laetitia, diz que o diálogo é essencial no casamento, e que exige tempo de qualidade, ouvir com paciência, dar importância real ao que o outro diz. Diz também que, para haver conversa que valha, é preciso ter algo para dizer, e que essa profundidade vem da reflexão e da oração. E propõe algo simples, que os casais encontrem alguns minutos para se porem diante do Deus vivo, para Lhe contar as preocupações e pedir ajuda para se amarem. É assim, numa conversa a dois sobre o que importa, feita diante de Deus, que o casamento se mantém inteiro.

E se essa conversa profunda, em vez de esperar por um dia que aparece, tivesse uma hora marcada, como tudo o que é importante?

Podes marcar uma reunião de casal por mês, para o que não é palpável

Na prática, isto pode ter dia marcado. Os gestos pequenos de cada dia mantêm o casamento vivo, e há um lugar para uma conversa maior, mais funda, que só cabe de vez em quando. Podes propor uma reunião de casal por mês, um almoço mais demorado, só os dois, sem miúdos e sem telemóveis, longe das listas do costume. O tema é o que não é palpável, como está cada um com Deus, como vão as relações com os filhos, o que anda a pesar, o que está a correr bem, para onde querem levar a família no próximo mês. A logística fica de fora, essa já a tratam todos os dias. Uma pergunta de cada vez, sem pressa, com tempo para ouvir. Uma vez por mês chega para que essas conversas deixem de ficar por fazer.

E quando o mês seguinte chegar, já não é preciso esperar por um momento que nunca aparece, porque ele já está marcado.

Que dia deste mês podiam guardar, os dois, para a primeira reunião de casal?

De onde isto nos vem

Esta reunião mensal é algo que fazemos em nossa casa. Nasceu da nossa experiência nas Equipas de Casais de Nossa Senhora, onde os casais se apoiam uns aos outros na vida de fé, e foi inspirada também pelo trabalho de Rita Rodrigues Castro e Bernardo Castro, com os Casais Realinhados. Não é publicidade a nenhum programa nem a nenhuma comunidade. É só a nossa experiência, partilhada aqui porque nos tem feito bem, e talvez faça bem ao vosso casamento também.

Se marcarem a vossa primeira reunião de casal, escreve-nos a contar como correu, para info@saltnpaper.pt.