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Habitar

Criar cantos de silêncio numa casa cheia

Criar cantos de silêncio numa casa cheia

Anseias por um bocado de silêncio, mas a casa está sempre cheia e não há um canto sequer onde parar, e acabas por desistir de o procurar. Este texto mostra-te, a partir da Escritura e da forma como Jesus rezava, que o silêncio não precisa da casa vazia, e como criar um pequeno canto teu onde te recolheres, mesmo com a vida a acontecer à volta.

Há uma coisa de que sentes falta, mais do que tempo, e é silêncio. A casa está sempre cheia, o barulho não pára, há sempre uma criança a chamar, um som ligado, alguém a precisar de qualquer coisa. Cada canto está ocupado, com brinquedos, com roupa, com gente. E nas raras vezes em que te sentas para respirar um bocado, em segundos aparece alguém a encontrar-te. Sentes que nunca estás sozinha com os teus pensamentos, e muito menos com Deus.

Numa casa sempre cheia, o silêncio parece uma coisa impossível de ter

E convences-te de que o silêncio, o a sério, exige a casa vazia ou uma divisão só tua com uma porta que fecha, coisas que não tens nem vais ter tão cedo. Como essas condições nunca chegam, deixas de procurar, e resignas-te ao ruído constante, por fora e por dentro. A cabeça nunca abranda, e a oração, quando acontece, é sempre a correr, no meio de tudo. Fica a ideia de que o silêncio é um luxo para outra fase da vida, quando os filhos forem grandes e a casa acalmar.

Há quanto tempo não tens uns minutos de verdadeiro silêncio, só para ti e para Deus?

Deus fez-Se ouvir por Elias numa brisa leve, quase um silêncio

Mas a fé mostra que o silêncio de Deus é outra coisa do que imaginas. Quando o profeta Elias procurou Deus, passou um vento forte que fendia os montes, depois um terramoto, depois um fogo, e Deus não estava em nenhum deles. Deus fez-Se ouvir a seguir, numa brisa leve, quase um silêncio. A lição é simples, a voz de Deus ouve-se numa atenção mais fina, dessas que só o silêncio abre. E esse silêncio é, antes de tudo, uma coisa de dentro, um recolhimento do coração, que pode acontecer mesmo com a vida a andar à volta.

Jesus retirava-se para rezar, e mandou-te entrar no teu quarto e fechar a porta

E o próprio Jesus procurava esse silêncio. O Evangelho conta que, de manhã cedo, se levantava e ia para um lugar deserto rezar, e que se retirava com frequência para lugares sozinhos. E ensinou uma coisa muito concreta, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e reza ao teu Pai que está no segredo. A Igreja lê este quarto como um gesto de recolhimento, mais do que como a exigência de uma sala perfeita, criar um sítio e um momento em que o coração se volta para Deus. Não precisas de uma casa em silêncio. Basta-te um ponto de silêncio onde possas entrar.

E se o silêncio de que precisas coubesse num canto pequeno, mesmo com a casa cheia?

Podes criar um canto de silêncio, pequeno e teu, mesmo com a casa a andar

Na prática, isto cabe em muito pouco espaço. Podes escolher um canto, uma cadeira junto a uma janela, um recanto do quarto, um degrau da escada, e transformá-lo no teu ponto de silêncio. Bastam uma imagem ou uma cruz, talvez uma vela, para o teu olhar saber onde pousar. O porquê de cada coisa é o mesmo, ajudar o coração a entrar depressa no recolhimento. E depois entras ali, mesmo que seja por três minutos, mesmo com barulho ao fundo, porque o silêncio que conta é o de dentro. Com o tempo, a tua família aprende que aquele é o teu canto.

E na próxima vez que precisares de parar, já não precisas de esperar pela casa vazia, porque tens um sítio, pequeno mas teu, onde o silêncio te espera.

Qual é o canto da tua casa que podias transformar, esta semana, no teu ponto de silêncio?

Se quiseres pequenas ideias para criar silêncio e recolhimento no meio da vida cheia, a nossa newsletter chega uma vez por semana, com um santo e um gesto para o lar.