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Rezar

Rezar em família sem forçar os filhos

Rezar em família sem forçar os filhos

Queres que os teus filhos tenham fé, mas quando insistes na oração eles resistem, e ficas com medo de os afastar de vez. Este texto mostra-te porque é que a fé não se impõe, e como convidar e dar exemplo faz mais do que qualquer obrigação, a partir do que a Igreja ensina e do exemplo de Santa Mónica.

É a hora da oração da noite e o teu filho não quer. Cruza os braços, diz que é uma seca, distrai-se de propósito, ou reza a correr só para se ir embora. Tu insistes, ele resiste, e o que devia ser um momento de paz transforma-se num braço de ferro. No fim, ficas sem saber se fizeste bem em obrigar, ou se devias ter deixado passar.

Entre forçar e desistir, sentes que erras dos dois lados

As duas saídas parecem más. Se forças, tens medo de colar a fé a uma memória de imposição, e de que um dia a rejeitem só porque foi obrigada. Se desistes, sentes que estás a falhar naquilo que mais te importa, passar-lhes o que tens de mais precioso. E no meio disto anda uma pergunta que não te larga, será que os estou a aproximar de Deus, ou a afastar.

Já te viste presa entre insistir e deixar andar, sem saber qual das duas faz mais estragos?

Cristo convidava à fé, e nunca obrigou ninguém

Olha para como o próprio Jesus fez. Cristo convidava as pessoas à fé e à conversão, e nunca as coagiu. O Catecismo é claro nisto, o ato de fé é, por sua natureza, um ato livre, e ninguém pode ser forçado a abraçar a fé contra a sua vontade. Isto não te tira a responsabilidade, dá-lhe outra forma. A Igreja chama à família igreja doméstica e ensina que é ali que se aprende a rezar, que os pais são os primeiros a anunciar a fé aos filhos, sobretudo pelo exemplo e pela oração de cada dia. Abres a porta, mostras o caminho, rezas com eles e por eles, e o coração deles responde no tempo dele.

E se o teu trabalho fosse só abrir a porta, e confiar a Deus a parte que não te cabe?

Santa Mónica rezou anos pelo filho, sem nunca o forçar

Santa Mónica é o retrato disto. O filho, Agostinho, afastou-se da fé durante anos, viveu longe dela, e ela não o arrastou de volta. Rezou por ele com uma paciência que durou décadas, chorou, acompanhou-o, e deixou a Deus o que não estava nas mãos dela. Agostinho acabou por converter-se e tornou-se um dos maiores santos da Igreja, e isso veio no tempo de Deus, ao ritmo de uma mãe que nunca desistiu. A fidelidade dela esteve em manter-se e continuar a rezar, sem nunca o forçar.

Podes abrir a porta e deixar que a vejam rezar

Na prática, isto liberta-te de um peso. Não precisas de ganhar o braço de ferro da oração da noite. Podes rezar à frente deles, sem depender de que participem, porque ver-te rezar ensina mais do que qualquer ordem. Podes convidar com uma porta sempre aberta e nunca com uma exigência, e deixar que a casa se encha de pequenos gestos de fé, uma oração antes da refeição, uma palavra sobre Deus quando ela surge no dia. E podes rezar por eles, como Santa Mónica, confiando que a semente lançada num lar assim dá fruto no seu tempo.

E na próxima vez que um deles não quiser rezar, já não precisas de transformar isso numa batalha, porque a tua parte é manteres a porta aberta, e o resto é deles e de Deus.

Qual é o gesto de fé que os teus filhos te veem fazer, mesmo quando não rezam contigo?

Se esta semana rezares assim, à frente deles e sem pressão, escreve-nos a contar como correu. É só um email para info@saltnpaper.pt, e lemos tudo.