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Partilhar a mesa: porque comer junto ainda importa

Partilhar a mesa: porque comer junto ainda importa

Entre horários desencontrados, telemóveis à mesa e filhos que não querem o que cozinhaste, a refeição em família parece um esforço que talvez já não compense. Este texto mostra-te, a partir da mesa de Jesus e da comunhão que ela criava, porque é que comer juntos ainda importa, mesmo quando é simples e barulhento.

Imaginavas um jantar em família parecido com os das fotografias, todos à volta da mesa, conversa calma, comida quente. E o que tens é isto. Um come mais cedo por causa do treino, outro não quer o que está no prato, um telemóvel acende-se a meio, e há dias em que cada um come a correr e a mesa nunca se enche ao mesmo tempo. No fim, ficas a perguntar-te se este esforço todo para juntar a família à mesa ainda faz algum sentido.

No meio das correrias, duvidas que a mesa em família ainda faça diferença

E a dúvida instala-se. Se a refeição é sempre a correr, se ninguém está totalmente ali, se não se parece nada com o quadro sereno que tinhas na cabeça, talvez não conte. Talvez seja mais fácil deixar cada um comer quando e onde calha, e poupares-te à batalha de os sentar. A distância entre a mesa que sonhaste e a que tens todos os dias faz-te pensar que já perdeste essa causa.

Já pensaste em desistir de juntar todos à mesa, por parecer uma luta sem resultado?

Jesus deu-Se a reconhecer à mesa, ao partir o pão

A mesa partilhada sempre foi muito mais do que comer. Jesus passou a vida a sentar-se à mesa com as pessoas, e foi ali que criou laços e mudou vidas. No caminho de Emaús, dois discípulos só O reconheceram quando Ele se sentou com eles, tomou o pão e o partiu, e foi nesse gesto que os olhos deles se abriram. E na Última Ceia foi à mesa, enquanto comiam, que Se deu por inteiro aos seus. A mesa, na Escritura, é o lugar onde as pessoas se reconhecem e se tornam uma.

A vossa mesa é o eco pequeno dessa comunhão, mesmo barulhenta

A vossa mesa em casa é um eco pequeno dessa comunhão, ainda que não seja a Eucaristia. A Igreja chama à família igreja doméstica, e vê na refeição partilhada a primeira escola de atenção ao outro, com todos os sentidos despertos, os cheiros, os olhares para as caras de quem está à mesa, as conversas. Diz até uma coisa simples e certeira, não se partilha uma refeição através de um ecrã. O que faz a mesa contar é estarem presentes uns aos outros, muito mais do que a calma ou a comida bonita. E isso acontece na mesma numa mesa simples e cheia de barulho.

E se o que importa na mesa fosse só estarem ali, juntos, a olhar-se, por muito barulho que haja?

Podes proteger uma refeição partilhada, simples e sem ecrãs

Na prática, não precisas de juntar sempre toda a gente nem de servir um jantar digno de fotografia. Podes escolher uma refeição na semana para proteger, aquela em que dá mesmo para estarem todos, e guardá-la. Os telemóveis ficam noutra divisão, a comida pode ser simples, e o que conta é sentarem-se juntos e olharem-se enquanto comem. Uma pergunta a cada um sobre o dia faz mais pela vossa mesa do que qualquer receita.

E da próxima vez que a refeição for barulhenta e imperfeita, é a vossa comunhão a acontecer no meio da vida real, e nunca um sinal de que falhaste.

Qual é a refeição da semana que podias proteger, para estarem mesmo todos à mesa?

Se protegeres uma refeição em família esta semana, conta-nos como foi à mesa. Escreve-nos para info@saltnpaper.pt.