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O casamento também precisa de manutenção: pequenos gestos semanais

O casamento também precisa de manutenção: pequenos gestos semanais

Depois de anos, filhos e trabalho, o casamento foi ficando reduzido a horários e tarefas, e vocês tornaram-se uma boa equipa que já quase não se encontra. Este texto mostra-te, a partir do que a Igreja ensina, que o amor conjugal se renova em gestos pequenos e constantes, e não em grandes ocasiões, e que a graça para isso já vos foi dada.

Ao fim de uns anos, com filhos e trabalho pelo meio, o casamento vai-se organizando à volta da logística. Quem leva quem, o que há para o jantar, as contas, quem fica com o miúdo no sábado. Tornaram-se uma boa equipa, resolvem tudo, a casa anda. E, sem darem por isso, passaram meses sem uma conversa que não fosse sobre horários. A tal saída a dois que andam a prometer um ao outro nunca chega a acontecer.

O casamento foi ficando reduzido à logística, e vocês viraram uma boa equipa

E há um dia em que reparas na distância. Não há zanga, não há drama, só uma espécie de silêncio confortável em que já são mais colegas de casa do que outra coisa. Pensas que reaproximarem-se exige um gesto grande, um fim de semana fora, um jantar especial, tempo e dinheiro que não tens. Como esse gesto nunca cabe, vais adiando, e a distância assenta mais um pouco. E fica a culpa de, depois de tratares de toda a gente, já não sobrar quase nada para o casamento.

Há quanto tempo é que tu e ele não têm uma conversa que não seja sobre o que é preciso resolver?

O amor conjugal cresce nos gestos pequenos do dia a dia

Olha para o que a fé ensina sobre como o amor se sustenta. A Escritura descreve o amor como paciente e bondoso, que não é irritável nem guarda ressentimento, que tudo suporta, e São João pede que amemos com obras e em verdade, não só com palavras. O Concílio Vaticano II diz que o amor conjugal se nutre e cresce dia a dia, com uma generosidade constante, e o Papa Francisco fala de atos de amor cada vez mais frequentes e ternos. É a matéria pequena e repetida do dia a dia que mantém um casamento vivo, muito mais do que o gesto raro e espetacular.

E se o casamento precisasse menos de um grande resgate e mais de um gesto pequeno, repetido semana após semana?

A graça do sacramento é para o amor de todos os dias, e é dos dois

E há uma ajuda que já vos foi dada. O casamento é mais do que a promessa do dia da boda, é um sacramento em que Cristo fica com os dois, dando-lhes a graça para se perdoarem, para carregarem juntos os pesos e para se amarem com ternura mesmo quando os dias estão gastos. E esse amor é dos dois. Quando São Paulo põe o amor de Cristo pela Igreja como modelo do amor no casamento, não está a pôr o peso todo num só, está a descrever uma troca, um a dar-se ao outro. Podes ser tu a começar, e o caminho é para caminharem juntos.

Podes escolher um gesto pequeno por semana, e mantê-lo

Na prática, começa pequeno e constante. Podes escolher um gesto por semana e mantê-lo, uma conversa sem ecrãs depois de as crianças adormecerem, perguntar-lhe pelo dia e ouvir mesmo, um café juntos ao fim da tarde, um recado deixado, um toque ao passar. Um só, repetido, diz «ainda te vejo» melhor do que qualquer jantar caro uma vez por ano. E podes convidá-lo para o mesmo, sem lhe cobrar, deixando que o gesto abra a porta.

E da próxima vez que sentires a distância, já não precisas de esperar pelo fim de semana perfeito, porque o casamento renova-se aos poucos, no meio da vida que já têm.

Qual é o gesto pequeno que podias oferecer ao teu casamento, já esta semana?

Se experimentares um gesto pequeno esta semana, escreve-nos a dizer qual foi e como correu, para info@saltnpaper.pt. Gostamos de saber.