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Porque é que a tua casa volta ao caos todas as segundas

Porque é que a tua casa volta ao caos todas as segundas

Todas as segundas a casa parece voltar à estaca zero, e cada vez ficas com a sensação de que te falta disciplina para manter o que arrumaste. Este texto mostra-te porque é que o caos volta sempre no mesmo dia, e um gesto pequeno de fim de semana que muda a forma como a segunda-feira começa.

É segunda de manhã e a casa desfez-se outra vez. Na sexta ainda estava mais ou menos em ordem, e agora há a roupa do fim de semana em cima da cadeira, a loiça de ontem, os brinquedos que ninguém arrumou, as mochilas por preparar. Abres os olhos e a semana já começa com uma lista à tua espera.

A semana ainda não começou e já sentes que vais atrás. Com o trabalho que espera volta sempre a mesma pergunta, porque é que isto nunca se aguenta.

Todas as segundas parecem confirmar que o problema és tu

Ao fim de meses de segundas assim, forma-se uma ideia dentro de ti, a de que há em ti uma falha que te impede de manter o que qualquer outra pessoa manteria sem esforço. A desarrumação incomoda, mas o que pesa mesmo é começares outra vez a semana convencida de que não és capaz.

Quantas segundas já começaram assim, com a sensação de já estares atrás antes das nove da manhã?

A pergunta que interessa é onde é que a tua semana termina

A casa de segunda pode estar a dizer-te menos sobre ti e mais sobre o desenho da tua semana. Volta ao caos no mesmo dia porque a semana anterior nunca teve um fim. Enquanto uma semana entra pela outra sem nada a separá-las, a desordem deixa de ser um acidente e passa a ser o resultado normal de dias que se acumulam sem fecho.

A pergunta muda de figura. Deixa de ser como arranjar mais disciplina para aguentar, e passa a ser mais simples, onde é que a tua semana termina. E esta não é uma ideia nova, há uma tradição antiga que percebeu, muito antes de nós, que o tempo precisa de ser desenhado para não nos desfazer.

Consegues apontar, na semana que passou, o momento exato em que ela terminou?

São Bento deu um ritmo em que cada coisa tem o seu tempo, incluindo o fim

Este ritmo não começou nos mosteiros. Está na primeira página da Bíblia, onde Deus trabalha durante seis dias, descansa ao sétimo e abençoa esse dia como tempo santo. O descanso faz parte do desenho desde o início, e o próprio Deus deu à semana um fim. Séculos mais tarde, São Bento escreveu uma regra que deu a esse ritmo uma forma para a vida comum, com um tempo para o trabalho e um tempo para a oração, ora et labora, e também um tempo para descansar.

Nada disto pede mais esforço a quem já está no limite, pede ritmo. Uma vida sustenta-se quando cada coisa sabe quando começa e quando acaba, e o ritmo faz o que o esforço sozinho nunca fez. Uma semana que tem um fim deixa o domingo ser mesmo descanso, e não a véspera ansiosa da segunda. O caos deixa de vir de trás quando existe um momento, por mais pequeno que seja, em que a semana se fecha antes de o descanso chegar.

Podes começar por dar um fim visível à semana, mesmo que pequeno

Não precisas de um sistema novo nem de uma tarde inteira. O que falta é dar um fim à semana, e esse fim pode ser um gesto curto de sábado ou de domingo à noite. Uns minutos a arrumar o que ficou solto, a decidir que a semana terminou ali, a deixar a casa e a cabeça com um ponto final. O gesto é só fechar a semana que passou, sem já estares a planear a seguinte.

E na próxima segunda a casa pode não estar perfeita, mas já não começas a semana a dever, porque a de antes teve um fim.

Qual seria o teu gesto de fecho, aquele que te diria, sem dúvida, que a semana terminou?

Este fecho semanal é uma das coisas que o Ritmos do Lar te ajuda a construir, para deixares de depender da disciplina de cada domingo e passares a ter um ritmo que se sustenta sozinho.