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Organizar

Porque sistemas falham ao fim de duas semanas

Porque sistemas falham ao fim de duas semanas

Começas um sistema novo, corre bem duas semanas, e depois desmorona-se, e ficas convencida de que o problema é a tua falta de disciplina. Este texto mostra-te a verdadeira razão por que os sistemas caem, e porque a fidelidade nas pequenas coisas aguenta o que a perfeição nunca aguenta.

Já conheces este ciclo. Descobres um sistema novo, uma forma de organizar a casa ou a semana, e no início resulta. Durante duas semanas sentes-te por cima, tudo no seu lugar, tudo a andar. E depois há um dia que foge, uma criança doente, uma noite mal dormida, um imprevisto, e o sistema salta. No dia seguinte já não lhe pegas, e em pouco tempo está abandonado como os anteriores.

Cada sistema que abandonaste deixou a mesma marca em ti

E a leitura que fazes de ti é sempre a mesma. Não tens disciplina, não consegues manter nada, começas com tudo e não acabas. Cada sistema que ficou pelo caminho junta-se aos outros como prova de que a falha é tua, de que há em ti qualquer coisa que não serve para isto. O que mais cansa é recomeçar já convencida de que vais voltar a desistir.

Quantos métodos já deitaste fora a pensar que o problema eras tu, e não eles?

Os sistemas falham porque foram feitos para uma semana perfeita que não existe

Olha bem para o que aconteceu, porque a razão não está em ti. A maioria dos sistemas é desenhada para uma semana ideal, sem imprevistos, sem noites mal dormidas, sem crianças doentes. São complexos, exigem muitos passos, e medem-te por uma corrida certa. Basta um dia a fugir para a conta se partir, e quando a régua é a perfeição, um único dia falhado lê-se como fracasso total. Saltaste de um sistema que já estava feito para te deixar cair ao primeiro tropeção, e o defeito estava no desenho, nunca na tua vontade.

E se o problema estiver todo no tamanho do sistema, e não em ti?

A via pequena de Santa Teresinha aguenta o dia em que falhas

E há aqui uma lição de fé que muda tudo. Santa Teresinha ensinou o que ficou conhecido como a via pequena, um caminho de santidade feito de pequenas coisas realizadas com amor e confiança em Deus, e não de feitos heroicos. O Evangelho diz que quem é fiel no pouco é fiel no muito, e São Paulo ouviu de Deus que a Sua força se manifesta na fraqueza. Um caminho assente na perfeição parte-se ao primeiro erro, porque a régua é nunca falhar. Um caminho assente na fidelidade aguenta o erro, porque a régua é voltar. O que Deus te pede é que voltes, e a graça faz o resto.

Podes escolher a versão mais pequena, a que aguenta um dia mau

Na prática, isto muda a forma como escolhes um sistema. Podes procurar o mais pequeno em vez do mais completo, aquele que consegues manter no teu pior dia e não só no melhor. Se aguenta uma semana em que tudo corre mal, aguenta o resto do ano. E quando falhares um dia, e vais falhar, não recomeças do zero, apenas voltas ao gesto seguinte, sem te cobrares a falha.

Um sistema assim espera por ti quando a vida acontece, em vez de te deixar por baixo.

Qual é a versão mais pequena do teu sistema, aquela que aguentarias mesmo numa semana horrível?

É esta a ideia por trás do Ritmos do Lar, um sistema pensado para a semana real, com gestos pequenos e um ritmo que decide por ti o que fazer, para não teres de o segurar à força.